Análise de professor da UFSM/Cesnors contesta reportagem do Jornal Nacional

Fonte: http://www.cesnors.ufsm.br/analise-de-professor-da-ufsm-cesnors-contesta-reportagem-do-jornal-nacional-1, também reproduzido em Viomundo

José Meira da Rocha, professor de Jornalismo Gráfico da UFSM/Cesnors entra na polêmica que ganhou a mídia e a campanha presidencial nessa semana

Análise de professor da UFSM/Cesnors contesta reportagem do Jornal Nacional Meira explica porque contesta a análise apresentada no Jornal Nacional. Foto: Fábio Pelinson 

Na última quarta-feira, 20, por mais um compromisso na campanha presidencial no Rio de Janeiro, militantes do PT e do PSDB entraram em confronto. Além das discussões e do empurra-empurra, possíveis objetos teriam atingido o canditato tucano, José Serra. O Jornal Nacional da Rede Globo, deu grande repercussão ao ocorrido, analisando as imagens do encontro. A análise foi feita pelo professor Ricardo Molina, que geralmente faz declarações sobre ações da Perícia Criminal Oficial, o que acaba sendo contestado pelos casos em que Molina já se envolveu.

 

Segundo a análise da imagem gravada por um celular, um objeto, supostamente um rolo de fita, teria atingido Serra num segundo momento, minutos depois de uma bola de papel ter sido arremessada na cabeça do candidato. O resultado obtido pelo perito, quase convenceu o professor da UFSM/Cesnors, José Meira da Rocha. Porém, o professor digitaliza as imagens veiculadas na tv através de uma placa de vídeo, e em uma análise mais a fundo, a matéria que tomou sete minutos do Jornal Nacional seria uma grande “barriga” ou gafe jornalística.

Passando frame à frame o vídeo, Meira percebeu que na verdade aquilo não parecia nada com um rolo de fita. O depoimento do suposto especialista, que não tem grande credibilidade no campo da perícia criminal, acabou criando algo que realmente não estava ali. Se a ação da Rede Globo foi de má fé, ou foi realmente um erro jornalístico, não podemos dizer, mas que nada atingiu o candidato no vídeo em questão, isso é o que o professor afirma, em sua análise quadro à quadro.
-Na verdade o que vemos no vídeo é a imagem da cabeça de outra pessoa atrás do canditado José Serra, misturado com uma distorção da imagem de vídeo digital. – ressaltou Meira.

A matéria que Meira escreveu em seu site trazendo sua conclusão em relação ao vídeo repercutiu rapidamente. As imagens quadro à quadro com a análise do professor foram parar em vários blogs e sites. O próprio site do professor acabou saindo do ar. O motivo de censura foi comentado, mas na verdade o aumento absurdo de acessos foi o que motivou a queda do site.
-Me espantou bastante a repercussão dessa matéria, porque eu fiz na madrugada entre três e cinco da manhã. Quando acordei já havia recebido e-mails falando que meu site estava fora do ar. Para ter uma ideia, tal o número de acessos, meu site estava derrubando os sites de outros clientes do servidor, aí acabaram tirando o meu do ar. Então não foi censura, foi um super sucesso que eu não estava preparado.

O material de fotos e texto foi parar no site do jornalista Paulo Henrique Amorin, o que não prejudicou a divulgação da análise, já que o site de Meira continua fora do ar. A campanha de José Serra continua utilizando a análise do perito Ricardo Molina na propaganda eleitoral, confirmando a agressão ao canditato por um rolo de fita.

Fábio Pelinson – Assessoria de Imprensa do Censors / Da Hora

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2 Comentários to “Análise de professor da UFSM/Cesnors contesta reportagem do Jornal Nacional”

  1. Do tijolaço.com:

    A “perícia” de Molina desmorona

    Do site do professor de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria, José Antonio Meira da Rocha:

    “Esta matéria investigativa tem o objetivo didático de mostrar aos meus alunos como se faz análise de material digital. A fim de despertar interesse dos estudantes, uso um fato midiático de grande repercussão, embora de importância reduzida.

    O perito em áudio Ricardo Molina de Figueiredo sustenta que um vídeo de celular identificou um rolo de fita adesiva batendo na cabeça do candidato à presidência do Brasil, José Serra, em passeata no Rio. Uma mancha identificada como rolo de fita adesiva aparece em apenas um quadro do vídeo. Decupado quadro a quadro, já mostrei que o “rolo” é apenas um artifact de compressão de vídeo: um defeito de compressão que aparece como um quadrado de bordas bem definidas, retas, com o interior borrado e difuso.

    A justificativa de Molina para a mancha aparecer em apenas um único quadro do vídeo é de que a velocidade do rolo seria muito alta, cerca de 40 km/h. A dúvida que um jornalista investigativo deve procurar responder é: a fita arremessada poderia ser captada em um vídeo de celular?

    Para testar a hipótese, montei facilmente um Serra falso e atirei com força um rolo de fita crepe em sua cabeça (não tentem fazer isto em casa ou com o candidato verdadeiro). Gravei com o programa Linux ffmpeg um vídeo a 15 quadros por segundo e dimensões de 320 x 240 pixels, em formato mpeg4, semelhante ao formato 3GP usado em celulares. A qualidade de webcamera é melhor do que a do celular. Mas, o que importa, neste caso, é a taxa de quadros por segundo. Depois, gravei a sequência em imagens jpeg, pelo programa Avidemux. O resultado aparece na sequência abaixo:

    serah-fita-no-serra0001

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    A distância entre as duas posições do rolo, antes de bater na cabeça falsa do falso Serra, foi de 70cm, aproximadamente. Os quadro de vídeo são capturados a cada 66,6 milésimos de segundo (um segundo dividido por 15 quadros). Regra de três que todo jornalista deve saber fazer: se o rolo percorreu 0,7 metro em 0,066 segundo , em uma hora (3600 segundos) teria percorrido 37,8 quilômetros (0,7 m × 3600 s ÷ 0,066 s). Velocidade de 38 km/h, aproximadamente os 40 km/h que Molina alega que a suposta fita teria.

    No laudo preparado por Molina, ele diz que o celular captaria um quadro a cada 500 milessegundos. Isso equivaleria a 2 quadros por segundo (frames per second — fps), taxa completamente irreal. A simples análise do vídeo da Rede Globo (a TV NTSC tem 29,97 quadros por segundo) mostra que cada quadro foi duplicado. Ou seja: o vídeo do celular tem cerca de 15 quadros por segundo, a metade dos cerca de 30 quadros por segundo da televisão.

    O vídeo publicado pela Folha.com tem 913 quadros em 30,491 segundos (29,94 fps), mas muitos quadros também estão duplicados. De uma amostragem de 105 quadros em 3,502 segundos, um quadro está repetido 6 vezes, 4 quadros estão repetidos 4 vezes e os 100 restantes aparecem 2 vezes. Isso resultaria em 56 quadros por segundo, ou 15,9 fps.

    Claramente se vê que a fita deveria aparecer como um borrão comprido e claro, em dois quadros antes de bater na cabeça de serra, e em vários quadros depois, já com velocidade bastante diminuída. Em 400 milessegundos, a fita deveria aparecer em 6 quadros, num vídeo a 16 fps.

    Este simples procedimento mostra que o laudo do perito em áudio Molina comete um erro grosseiro, incompatível com alguém com conhecimentos em vídeos digitais ou analógicos.

    Esta investigação não prova que o candidato Serra não foi atingido por fita adesiva, apenas prova que o vídeo apresentado em matéria de 7 minutos pelo Jornal Nacional não mostra o suposto ataque”.

  2. A coisa não parou por aí. A Globo encomendou laudo de um segundo perito que adulterou o vídeo e eliminou as evidências.
    http://meiradarocha.jor.br/news/2010/10/25/por-que-o-laudo-bolinha-2-e-equivocado/

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