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22 outubro 2010

Professor do IE-Unicamp Analisa os Motores da Elevação do Crescimento Econômico no Governo Lula

Fonte: Luis Nassif Online

 

Mitos tucanos e as razões do dinamismo: o crédito

André M. Biancareli

(professor do IE-Unicamp)

É amplamente reconhecido o fato de que, depois de um início muito beneficiado pelas contribuições do setor externo, o dinamismo da economia brasileira no governo Lula passou a se apoiar essencialmente no seu mercado interno – o que propicia enormes vantagens, cabalmente comprovadas na rápida reação do país depois da mais grave crise econômica internacional desde os anos 1930. O aquecimento dos grandes componentes da demanda doméstica – o consumo e, em menor medida, o investimento – está vinculado a alguns processos complementares. Entre esses, chamam a atenção os fenômenos ocorridos no mercado de crédito e na distribuição de renda. Tratemos do primeiro deles.

 

http://www.advivo.com.br/sites/default/files/documentos/mitos_6_credito_0.pdf

Mitos tucanos e as razões do dinamismo: o crédito
André M. Biancareli
(professor do IE-Unicamp)
Além de pautar a sua campanha no segundo turno por discussões e práticas políticas
com as quais o Brasil não imaginava (e não merecia) ter que conviver, a candidatura de
oposição tem contornado o debate econômico. Quando este aparece, é na forma de propostas
eleitoreiras que devem (ou deveriam) fazer corar os seus apoiadores na comunidade de
economistas e analistas econômicos. Principalmente os muitos deles que passaram os últimos
oito anos alertando para o descalabro e o descontrole nas contas públicas.
Outras discussões poderiam vir à tona. Por exemplo, acerca dos motores da elevação
do crescimento econômico conquistada pelo governo Lula. Sobre isso, de vozes tucanas,
ouve-se apenas a repetição do mantra da “continuidade” da política econômica anterior e/ou
do ambiente internacional melhor. O crescimento (ou não) da economia certamente é um
fenômeno complexo, com muitas causas – e que por isso mesmo não deveria ser objeto de
explicações tão simplistas.
É amplamente reconhecido o fato de que, depois de um início muito beneficiado pelas
contribuições do setor externo, o dinamismo da economia brasileira no governo Lula passou a
se apoiar essencialmente no seu mercado interno – o que propicia enormes vantagens,
cabalmente comprovadas na rápida reação do país depois da mais grave crise econômica
internacional desde os anos 1930. O aquecimento dos grandes componentes da demanda
doméstica – o consumo e, em menor medida, o investimento – está vinculado a alguns
processos complementares. Entre esses, chamam a atenção os fenômenos ocorridos no
mercado de crédito e na distribuição de renda.
Tratemos do primeiro deles. Não há capitalismo, nem muito menos capitalismo
dinâmico, sem crédito. Para financiar o consumo, o funcionamento e principalmente os
investimentos das empresas, a existência de uma oferta ampla e barata de crédito é prérequisito
essencial. Estamos ainda longe desse cenário ideal, mas não há como negar as
notáveis melhoras. O Gráfico 1 mostra, de forma eloquente, o contraste entre os períodos Lula
e Fernando Henrique no que se refere a esse aspecto fundamental do desenvolvimento.
O governo tucano, tendo assumido o país com a relação crédito/PIB em quase 37%
(que representava um pico decorrente dos efeitos do Plano Real recém-lançado), assiste ao
declínio, com solavancos, desse indicador até os 26% de dezembro de 2002. Já o registro da
gestão petista – depois de uma perda adicional de quase dois pontos percentuais até o
primeiro trimestre de 2004 – é o da elevação praticamente contínua durante mais de seis anos,
até o nível recorde de 46,2% do último dado disponível. Para que não reste dúvida: o
contraste é entre uma perda de 11 pontos percentuais do PIB e um ganho de mais de 20 pp.
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